Tribuna Livre: Academia de Letras e Artes de Venda Nova do Imigrante (ALAVENI) destaca trajetória da instituição e valorização da cultura


25 de maio de 2026 às 12h27.


A Câmara Municipal de Venda Nova do Imigrante recebeu, durante a Tribuna Livre, representantes da Academia de Letras e Artes de Venda Nova do Imigrante (ALAVENI), em um momento dedicado à valorização da cultura, da arte, da literatura e da memória do município.

Quem fez uso da tribuna foi a presidente da ALAVENI, Ireni Peterli Brioschi, que apresentou um pouco da trajetória da instituição e destacou a ligação histórica da Academia com a Câmara Municipal. Segundo ela, a ALAVENI nasceu justamente no plenário da Casa de Leis, espaço onde foram dados os primeiros passos de um sonho coletivo voltado à valorização da cultura, da arte e da memória de Venda Nova do Imigrante.

Durante sua fala, Ireni ressaltou a satisfação de retornar à Câmara já podendo apresentar ações concretas, projetos realizados e resultados que começam a deixar marcas positivas na comunidade. A presidente também destacou o papel da ALAVENI na preservação da memória cultural vendanovense, no incentivo à leitura e à escrita, além da valorização de artistas, escritores e manifestações culturais locais.

Entre os pontos abordados, Ireni também mencionou o XXI Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores, sediado em Venda Nova do Imigrante em 2024. Durante o evento, nasceu a proposta de levar o “Tempos do Nunca Mais” para as ruas da cidade, em uma construção conjunta entre a ACLAPT, a ALAVENI e a AFEPOL.

Neste ano, o evento chegou à sua terceira edição nas ruas, fortalecendo a cultura popular sertaneja raiz e consolidando-se como mais uma importante manifestação cultural de destaque no município.

A participação na Tribuna Livre também contou com a acadêmica Maria Tereza Falchetto Bolzani, que apresentou um texto de sua autoria sobre a construção histórica de Venda Nova do Imigrante. A leitura trouxe reflexões sobre a formação do município, suas raízes, sua identidade e a contribuição de diferentes gerações para o desenvolvimento da cidade. Confira:
 

História de Venda Nova do Imigrante e ALAVENI

Por Maria Tereza Falchetto Bazoni, acadêmica ocupante da Cadeira 12

Vejamos!

Há aproximadamente 150 anos, além-mar, o nosso futuro se desenhava. Famílias inteiras, destroçadas pela história, sem rumo, sem luz, mas movidas pela esperança, aventuraram-se em direção a uma terra distante. Trinta e seis dias de trem e de navio serviram de ponte entre o ontem e o amanhã.

Na chegada, descortinou-se um mundo entre o humano e o estranho agreste. Já não tinham pátria. Degradados, cansados, mas não mortos. Na exígua bagagem, traziam o tesouro da fé no Criador, herança inegociável, forja ardente de toda conquista que, sem dúvida, teriam doravante.

Os desafios seriam inimagináveis, mas ainda traziam consigo a alegria, o espírito indomável e corajoso, a força para o trabalho, combustíveis indispensáveis no fortalecimento da esperança no futuro.
 

E assim, chegando a estas paragens, oleiros céleres, homens e mulheres fizeram a América, fizeram Venda Nova. Surgiram o agrônomo, o engenheiro, a costureira, a bordadeira, a parteira, o dentista, o ferreiro, o sapateiro, o construtor e tantos outros, todos autodidatas. Reinventando-se, foram buscando equacionar seus problemas, usando sua arte de viver, plena de experiência e vigor.

Nesse edificar, numa faina de formigas, suas crenças, seus conhecimentos, seus desejos, seus pensamentos e sentimentos foram moldando e criando o porvir que vislumbravam.

Os anos passaram, as gerações se sucederam. Outros povos se juntaram, novas ideias se agregaram e, nessa soma, aquela terra agreste que assustou nossos nonos hoje se mostra transformada: é um jardim.

A natureza exuberante emoldura nossas montanhas. A agricultura pujante enche de orgulho os agricultores de hoje, conhecedores de técnicas de precisão. A ocupação urbana é feita com atenção, valorizando nossas paisagens. O nosso povo preserva suas tradições e sua cultura. O agroturismo se estabelece e fortalece o homem do campo, valorizando o trabalho de cada braço.

Nesse cenário ímpar, entre todas as criações dos artistas do nosso povo, há mais de dois anos desponta uma obra rara, incomum, que, exalando a fragrância de toda essa história, se propõe a eternizar o que se viveu, registrar o agora e fomentar o advir.

Ela arrebanha escritores, artistas plásticos, músicos, artistas populares e todos aqueles que, com arte, celebram a beleza e o talento criativo.

É ela: ALAVENI, Academia de Letras e Artes de Venda Nova do Imigrante, que, já caminhando para seu terceiro aniversário, continua recebendo novos membros e valorizando os talentos do nosso povo.



Por Gleidson Ferreira - Assessoria de Comunicação CMVNI
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Fotos: Eduardo Duarte


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